Faltas atuais de medicamentos: quais remédios estão em escassez em 2025

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Faltas atuais de medicamentos: quais remédios estão em escassez em 2025

Medicamentos em falta: o que está realmente escasso hoje

Se você ou alguém que você conhece precisa de um remédio e descobre que não tem na farmácia, não é coincidência. Em 2025, mais de 270 medicamentos estão em escassez nos Estados Unidos - e muitos desses são essenciais para vidas humanas. Isso não é um problema temporário. É uma crise estrutural que afeta hospitais, clínicas e lares. Alguns remédios estão em falta desde 2021. Outros acabaram de entrar na lista. E o pior? Muitos deles não são medicamentos de luxo. São os que salvam vidas todos os dias.

Quais medicamentos estão em falta?

As categorias mais afetadas são claras: soluções intravenosas, quimioterápicos e medicamentos para o sistema nervoso central. Entre os mais críticos estão:

  • 5% Dextrose Injection Small Volume Bags - usada para hidratação e transporte de medicamentos. Em falta desde fevereiro de 2022, com previsão de retorno apenas em agosto de 2025.
  • 50% Dextrose Injection - essencial para hipoglicemia grave. Em falta desde dezembro de 2021, com previsão de retorno em setembro de 2025.
  • Cisplatina - um dos principais medicamentos para câncer de testículo, pulmão e ovário. A produção foi interrompida em 2022 após falhas de qualidade em uma fábrica na Índia que fornecia metade do suprimento dos EUA.
  • Cloridrato de Metilfenidato - usado para TDAH. A demanda cresceu 35% ao ano desde 2020, e a produção não conseguiu acompanhar.
  • GLP-1 (como semaglutida e liraglutida) - medicamentos para perda de peso e diabetes. A escassez se acentuou por causa do aumento repentino de prescrições.
  • Soluções salinas e fluidos eletrólitos - usados em emergências, cirurgias e cuidados intensivos. A escassez força médicos a escolher entre reidratar um paciente ou usar alternativas menos eficazes.

Esses não são remédios raros. São os que hospitais usam diariamente. Quando faltam, o sistema inteiro vacila.

Por que isso está acontecendo?

A razão principal é simples: a produção de medicamentos virou uma cadeia global frágil. Cerca de 80% dos ingredientes ativos usados nos EUA vêm da Índia e da China. Um único problema em uma fábrica na Índia pode parar a produção de um medicamento que milhões de americanos usam. Em 2022, uma inspeção da FDA em uma fábrica indiana revelou que os padrões de higiene estavam abaixo do mínimo. O resultado? Cisplatina sumiu da rede de distribuição.

Além disso, os medicamentos genéricos - que representam 90% das receitas - têm margens de lucro muito baixas, entre 5% e 8%. Enquanto uma pílula de marca pode render 30% a 40% de lucro, um genérico só sobrevive se for produzido em massa e com custos mínimos. Isso torna as empresas menos dispostas a investir em qualidade, capacidade de produção ou estoques de segurança.

Outro fator: a demanda. Medicamentos para TDAH e perda de peso viraram uma moda. A indústria não se preparou para esse aumento repentino. Quando a demanda sobe 35% ao ano, a produção não consegue acompanhar em meses - leva anos.

Contraste entre paciente rico e mãe sem remédio, com fábrica no fundo.

Quem sofre com isso?

Os pacientes, claro. Mas não só eles. Um estudo da American Society of Health-System Pharmacists mostrou que 92% dos farmacêuticos em hospitais gastam mais de 10 horas por semana apenas tentando encontrar substitutos para medicamentos em falta. Isso tira tempo de cuidados reais. E quando substituem um remédio por outro, o risco de erro aumenta. 67% dos farmacêuticos relataram erros de medicação diretamente ligados a essas substituições.

Pacientes com câncer estão entre os mais afetados. Um relatório da Patients for Affordable Drugs mostrou que 31% deles tiveram tratamentos interrompidos em 2024. A média de atraso por interrupção foi de 14,7 dias. Em alguns casos, isso significa perder janelas críticas de tratamento. Em hospitais de Ohio, os médicos estão priorizando pacientes com câncer de testículo - onde a cisplatina é mais eficaz - e deixando outros para depois.

Clínicas de atenção primária também sofrem. Quando não há insulina ou antibióticos, os médicos têm que escolher entre adiar o tratamento ou tentar algo que não foi testado para aquela condição.

Como estão tentando resolver?

A FDA tem feito o que pode. Em 2025, lançou um portal onde profissionais de saúde podem reportar faltas que ainda não estão no sistema oficial. Em apenas três meses, foram 1.247 relatos - e 87% levaram a ações da agência. Mas a FDA não tem poder para obrigar empresas a produzirem mais. Só pode alertar, inspecionar e tentar acelerar aprovações.

Alguns estados estão indo além. Nova York quer criar um banco de dados público que mostre quais medicamentos estão em falta e onde ainda há estoque. Havaí permitiu que medicamentos aprovados em outros países sejam usados durante escassez - algo que antes era ilegal.

Farmácias estão tentando manter estoques estratégicos de 30 dias para medicamentos críticos. Mas só 28% dos hospitais conseguem fazer isso - o custo é alto, e os planos de saúde não reembolsam esse investimento.

Um dos maiores problemas? A falta de transparência. Empresas não são obrigadas a avisar com antecedência quando vão parar de produzir um medicamento. A FDA só descobre quando já está tarde.

Farmacêutico com lanterna de transparência, pacientes alcançando medicamentos.

Como isso afeta o Brasil?

Embora a escassez descrita aqui seja nos EUA, o impacto é global. Muitos medicamentos genéricos usados no Brasil têm ingredientes ativos importados da Índia e da China. Se uma fábrica indiana para de produzir cisplatina, o Brasil também sente. O mesmo vale para antibióticos, antivirais e soluções intravenosas.

Além disso, a pressão por preços baixos no mercado brasileiro incentiva a compra de genéricos de menor custo - muitas vezes de fornecedores com menor controle de qualidade. Isso aumenta o risco de interrupções e contaminações.

Se a crise nos EUA piorar com novas tarifas sobre produtos chineses e indianos, o Brasil pode enfrentar escassez ainda maior de medicamentos básicos nos próximos anos.

O que você pode fazer?

Se você toma um medicamento que está em falta:

  1. Entre em contato com seu médico ou farmacêutico imediatamente. Não substitua por conta própria.
  2. Pergunte se existe uma alternativa terapêutica equivalente - muitas vezes existe, mas precisa ser prescrita.
  3. Verifique com farmácias de diferentes redes. Algumas ainda têm estoque, mesmo que outras não tenham.
  4. Evite comprar de fontes não regulamentadas. Medicamentos falsificados aumentam em períodos de escassez.
  5. Se for paciente crônico, mantenha um registro do medicamento, dosagem e prescritor. Isso ajuda os profissionais a encontrar alternativas mais rápido.

Se você é profissional de saúde: reporte faltas. Mesmo que pareça pequeno, cada relato ajuda a construir um quadro mais real da crise. A FDA e as associações médicas precisam de dados reais para pressionar por mudanças.

O que vem pela frente?

As projeções não são animadoras. O Congresso dos EUA estima que, sem mudanças profundas, o número de medicamentos em falta permanecerá acima de 250 até 2027. Se novas tarifas forem aplicadas aos produtos da China e da Índia, o número pode saltar para mais de 350.

As soluções possíveis existem: incentivos financeiros para produzir ingredientes ativos nos EUA, estoques estratégicos obrigatórios para medicamentos críticos, e um sistema nacional de alerta antecipado. Mas nenhuma delas será implementada sem pressão política e pública.

Isso não é só sobre medicamentos. É sobre quem tem acesso à saúde. Quando um remédio essencial some, não é apenas um produto que falta - é uma vida que fica em risco.

Quais são os medicamentos mais críticos em falta em 2025?

Os mais críticos incluem 5% e 50% Dextrose Injection, cisplatina, cloridrato de metilfenidato (para TDAH), medicamentos GLP-1 (para perda de peso e diabetes) e soluções salinas. Esses medicamentos são usados em emergências, tratamentos de câncer e cuidados básicos. A escassez deles afeta diretamente a capacidade dos hospitais de atender pacientes.

Por que os genéricos estão mais em falta que os de marca?

Genéricos têm margens de lucro muito baixas - entre 5% e 8% - enquanto medicamentos de marca podem gerar 30% a 40%. Com pouco lucro, as empresas não investem em capacidade de produção, estoques ou qualidade. Além disso, a produção de genéricos depende de ingredientes importados da Índia e da China, onde falhas de fabricação ou tensões geopolíticas interrompem o fornecimento.

O que fazer se meu remédio estiver em falta?

Não substitua por conta própria. Entre em contato com seu médico ou farmacêutico. Eles podem sugerir alternativas terapêuticas equivalentes. Verifique em diferentes farmácias, pois algumas ainda têm estoque. Evite comprar de sites não regulamentados - o risco de falsificação aumenta em períodos de escassez.

A escassez de medicamentos nos EUA afeta o Brasil?

Sim. Muitos medicamentos genéricos usados no Brasil têm ingredientes ativos importados da Índia e da China. Se uma fábrica nesses países para a produção, o Brasil também sente. Além disso, a pressão por preços baixos no Brasil incentiva a compra de genéricos de fornecedores com menor controle de qualidade, aumentando o risco de interrupções e contaminações.

Há alguma solução em andamento?

Sim. A FDA lançou um portal para reportar faltas, e alguns estados já permitem o uso de medicamentos aprovados em outros países durante crises. Projetos de lei propõem incentivos para produção doméstica de ingredientes ativos e estoques estratégicos obrigatórios. Mas nenhuma solução será eficaz sem mudanças na forma como a indústria é regulada e incentivada.

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